MOTIVAÇÃO...E A FALTA DELA
Não é que me considere uma pessoa preguiçosa. Levo é o meu tempo a começar a fazer as coisas. Acho que pode ser visto como procrastinação, estar sempre a adiar ou dizer simplesmente que não me apetece e descartar a ideia ou desistir pouco depois. Já ouvi quem caracterizasse a procrastinação não como preguiça, mas como ter um grande "desejo" de sucesso, mas um medo enorme de falhar; acreditar que a nossa performance diga algo sobre o nosso valor como pessoa e que no fundo se torna uma autoproteção. Com isto não quero de todo desculpar a preguiça que todos temos, mas acho que em certos casos vale a pena analisar o que está por trás do procrastinar. Acho que tornei isto confuso. Mas adiante.
Durante toda a minha vida me lembro de ter sempre as ideias mais mirabolantes e de ser muito criativa. Tinha sempre imensos projetos e coisas que queria fazer, mas ou acabava por desistir antes de começar, ou desistia pouco depois de começar ou simplesmente já não me apetecia. Portanto acho que não era exatamente motivação que me faltava, mas sim comprometer-me com as coisas até ao fim. Estou a fazer sentido?
Por exemplo, uma das minhas resoluções de ano novo este ano era aprender uma língua nova e, claro que o ano ainda mal começou, mas ei já podia ter começado isso. E, na verdade, cheguei a pesquisar que língua queria aprender e encontrei um site onde podia aprender sozinha. Fiquei entusiasmada, eu gosto de línguas, gosto de estudar, ia ser bom. Mas a verdade é que passei semanas com a página guardada no computador e nunca a voltei a abrir. Pelo contrário, fechei-a. E não sei porquê. Muitas das vezes era o "não tenho tempo"; "agora não me apetece"; etc etc desculpas e mais desculpas. Depois também pensava no que os meus pais iam achar de certa maneira quando me vissem a "estudar". Talvez porque fui habituada a ouvir "deixa-te disso", "deixa-te de coisas" quando queria fazer alguma coisa nova ou às vezes riam-se do que eu queria fazer quando eram trabalhos mais relacionados com bricolage. Não sei, se calhar é mais uma desculpa.
Mas acho que não nos podemos culpar, pelo menos não sempre. Claro que não vamos estar sempre assim na preguiça digamos, mas há alturas da nossa vida que são mais favoráveis a que tenhamos um bom desempenho do que outras. E quando as outras estiverem a acontecer, eu acho que devemos considerar uma vitória o facto de termos suportado digamos mais um dia. Ou então dar-nos por satisfeitos por pequenas coisas do dia, seja porque ligamos a alguém com quem não falávamos há algum tempo ou, sei lá, porque conseguimos deitar-nos mais cedo. Uma questão de equilíbrio é o que eu quero transmitir, tentar trabalhar sempre, não exatamente por mais, mas pelo melhor para nós; mas também não nos martirizarmos quando temos épocas em que só tentamos chegar ao fim do dia.
Ficou confuso isto hoje não ficou? Mas coisas confusas podem ter piada, certo...?
"Um passo de cada vez, um dia de cada vez. Teremos sempre o amanhã para tentar outra vez. Afinal de contas, nenhuma tristeza dura para sempre..."