SENTIMENTOS CONFUSOS
Foi provavelmente o maior espaço de tempo que estive sem escrever. A verdade é que tenho andando mais leve, feliz e também tinha um evento para acontecer que me ocupava algum tempo. Não sentia necessidade de escrever. Mas claro que nunca vivemos num mar de rosas para sempre e temos dias como estes mais tristonhos mas não menos importantes de viver por isso.
Traz-me um certo desconforto voltar aqui. É um lembrete do porquê escrevo este blog, do que me espera, do que ainda tenho que enfrentar. Porque a verdade é que apesar de ser ótimo que consiga mais viver no momento, a parte menos boa digamos assim, é que não tenho pressa nenhuma para que chegue setembro, traz-me algum desânimo até. Aprendi a lidar com o dia-a-dia, a encontrar motivos de alegria em coisas pequenas e o saber que falta tão pouco para o que me venho preparando de repente não me traz ânimo.
Estar em casa também não é o que me dá conforto atenção, aproveito qualquer oportunidade que tenha para sair e ir a outros lugares. Na verdade, sinto-me como se nenhum lugar me pareça a minha "casa". É como se de repente tudo me parecesse estranho e só encontro algum "alívio" quando vou a outro lugar, seja a casa de tios, avós, etc. Mas lá está o saber que tenho a opção de sair em "breve" não me traz qualquer tipo de entusiasmo, pelo contrário. Acho que já entenderam o porquê do título deste capítulo, nem eu me entendo.
Mas pelo menos não fiquei a matutar nisso, em vez disso, tirei um dia para estar sozinha digamos, não fiz nada de mimos extra nem nada disso, simplesmente deixei-me estar sozinha a sentir o que sentia, sem pensar em nada. Fiz o meu dia normalmente, mais calada e apática é verdade, mas sei que não estava a martirizar-me com pensamentos. Inconscientemente repetia o meu mantra "um dia de cada vez".
É complicado estar a escrever este capítulo. Em quase todo sinto um nó na garganta, meio para tentar controlar emoções e, opostamente, porque não sei bem o que estou a sentir ou a pensar. É como se estivesse um emaranhado, uma teia no cérebro e não consigo encontrar uma única ponta para tentar desenvencilhá-la. E depois custa porque por mais que queira falar com alguém, para além do grande facto de que não consigo explicar o que é que estou a sentir ou a pensar, e porque de momento de passam mais coisas na vida à minha volta que indiretamente me afetam, e os meus problemas não parecem nem acho que sejam uma prioridade nem uma extra preocupação que deva dar às pessoas. Eu sei que os meus problemas importam, e apesar das pessoas terem a vida delas, nós preocupamo-nos em saber da dor dos outros para o ajudar a trabalhá-la, mas não parece certo. Não enquanto eu não descobrir mais.
Não acho que este tenha sido um capítulo "negativo", é só mais uma forma de desabafo e para verem que todos nós temos alturas de "não sei", de sentimentos confusos. No entanto eu continuo a achar que eu devia ser estudada. 😊
"Um passo de cada vez, um dia de cada vez. Teremos sempre o amanhã para tentar outra vez. Afinal de contas, nenhuma tristeza dura para sempre..."